Quando cheguei
a casa decidi fazer uma pesquisa no meu computador. Quando abri o Google,
digitei aquela palavra.
Vampiro.
Quando os
resultados surgiram apareceram imensas coisas - tudo, desde filmes e series de
televisão a jogos de dramatização, música da pesada e empresas que produziam e
fabricavam cosméticos góticos.
Quando a
pagina abriu, fui saudada por 2 citações na pagina inicial: Em todo vasto mundo sombrio dos fantasmas e
dos demónios, nao existe figura tão terrível, figura tão temida e abomina, mas,
ao mesmo tempo, paramentada de um tal fascínio temeroso como o vampiro, que nao
é fantasma, nem demónio, mas que, todavia, compartilha das índoles tenebrosas e
possui os misteriosos e terríveis atributos de ambos. - Rev. Montague Summers.
Se existe, neste mundo, um relato
devidamente fundamentado, é aquele que se refere à existência dos vampiros.
Nada lhes falta: relatórios oficiais, atestados de pessoas de renome,
cirurgiões, sacerdotes, magistrados; a comprovação judicial está quase
concluída. E, com tudo isso, quem é que acredita em vampiros? - Rousseau.
Apenas 3
entradas é que me chamaram muito à atenção: o romeno Varacolaci, um poderoso morto-vivi que conseguia aparecer como um
belo humano de pele clara; o eslovaco Nelapsi,
uma criatura tão forte e veloz que podia chacinar uma aldeia inteira numa única
hora, logo após a meia noite; e um outro, o Stregoni
benefici.
Apenas havia
uma breve frase sobre este ultimo.
Stregoni Benefici: um vampiro italiano
que está do lado do bem e é um inimigo mortal de todos os vampiros malévolos.
Foi um alivio
aquela entrada, o único mito entre centenas que defendia a existência de
vampiros bons.
Velocidade,
força, beleza, pele clara, olhos que mudam de cor, e por fim os critérios do
Bruno: bebedores de sangue, inimigos do lobisomem, de pele fria e imortais.
Havia muito poucos mitos que correspondiam a um so sector que fosse.
Obriguei-me a
concentrar-me nas 2 perguntas fundamentais que exigiam uma resposta, mas fi-lo
com relutância.
Em 1° lugar,
tinha de saber se era possível que aquilo que o Bruno me tinha dito a respeito
dos Fernandes fosse verdade.
Imediatamente,
a minha mente replicou com uma retumbante resposta negativa. Era uma tolice e
uma morbidez albergar ideias de tal modo ridículas. Mas, entao, qual era a
explicação?
Ele parecia
adivinhar os pensamentos de todos os que o rodeavam... excepto eu. Disse-me que
era o vilão, que era perigoso.
Seria possível
que os Fernandes e os Costa fossem vampiros?
Bem, algo eles haviam de ser. Quer estivesse
relacionado com os frios que o Bruno
me tinha contado ou com a minha própria teoria do super-herói, o Rafael
Fernandes nao era... humano. Era algo mais.
O que eu iria
fazer se fosse verdade? - essa era a questão mais importante de todas.
Se o Rafael
fosse mesmo um vampiro - mal conseguia eu sequer pronunciar mentalmente as
palavras -, o que deveria fazer eu?
Implicar outra
pessoa estava fora de questão, certamente iria mandar-me internar.
No outro dia,
quando cheguei à escola estava ansiosa nao para vê-lo so a ele mas sim a todos
os Fernandes. Nenhum deles estava na cantina, quando chegou a aula de Biologia
senti uma nova onda de decepção ao verificar que ele nao estava. O resto do meu
dia passou lento e triste.
Decidi ir lá
para fora, para o pátio quadrado do meu pai, dobrei a colcha a meio, estendi-a
e deitei-me nela, acabando por adormecer.
Passado algum
tempo perdi a noção do tempo e quando reparei ja o meu pai estava a chegar a
casa.
-Desculpa pai,
o jantar ainda irá demorar um bocadinho, adormeci lá fora - disse, reprimindo
um bocejo
-Nao te
preocupes com isso filha, de qualquer forma queria ver qual era o resultado do
jogo. - afirmou ele
No dia
seguinte, a Jess conduzia mais depressa do que o meu pai (o chefe da polícia)
e, devido a isso, chegamos a Coimbra por voltas das 16h. Tínhamos ido lá para
irmos comprar os vestidos da Jéssica e da Angela para o baile.
-Nunca foste
sequer com um namorado ou algo do género? - perguntou-me a Jéssica num tom de
duvida quando entramos pela porta da frente da loja
-A serio -
tentei convence-la
Nunca tive um
namorado nem nada parecido. Raramente eu saía. - disse-lhe
-Porque nao? -
perguntou-me ela
-Ninguém me
convidava.
Ela parecia
céptica.
-Aqui ha quem
te convide para sair - relembrou-me a Jéssica - e tu recusas.
A variedade de
vestidos daquela loja nao era muito grande, mas cada uma encontrou qualquer
coisa para experimentar. Eu sentei-me numa cadeira baixa no interior do
gabinete de prova, junto do espelho de 3 faces.
A Jéssica
estava dividida por 2 vestidos: um comprido, sem alças, com o preto como cor de
base e um outro azul-eléctrico com alças fininhas, cujo o comprimento se ficava
pelos joelhos. Eu incentivei-a a optar pelo azul; porque nao jogar com a cor
dos olhos? A Angela escolheu um vestido cor-de-rosa pálido que caía lindamente
na sua estatura elevada e conferia cambiantes cor de mel aos seus cabelos
castanho-claros. Elogiei-as generosamente e ajudei-as a restituir os artigos
rejeitados às respectivas prateleiras.
Dirigimo-nos
depois para a secção de sapatos e acessórios. Eu apenas me limitava a dar a
minha opinião.
-Angela? -
disse eu
-Sim? -
respondeu ela enquanto esticava a perna, torcendo o tornozelo, de modo a poder
ter um melhor angulo de visão do sapato
-Gosto desses.
-Entao acho
que os irei comprar, apesar de nao condizerem com mais nada para além daquele
único vestido - reflectiu ela
-Oh,
compra-os, eles estão em saldo - incentivei-a
-Hm, Angela...
Ela ergueu o
olhar com curiosidade.
-É normal que
os... Fernandes estejam muitas vezes ausentes da escola? - eu mantive os meus
olhos nos seus sapatos
-Sim, é
normal. Quando o tempo está agradável, eles partem muitas vezes em viagem, com
a mochila às costas... ate o medico. São todos grandes adeptos do ar livre. -
revelou-me ela com grande tranquilidade, examinando também os seus sapatos
Ela nao fez
uma única pergunta, ao contrario do que poderia acontecer com a Jéssica, que
teria feito centenas delas. Eu estava a começar a gostar realmente da Angela.
Nós íamos
jantar a um pequeno restaurante italiano e entao disse-lhes que iria
encontrar-me com elas ao restaurante dentro de 1h. Eu queria encontrar uma
livraria.
Eu vagueei
pelas ruas calmamente. Um grupo de 4 homens, vestidos de uma uma forma
demasiado descontraída, mas bastante sujos, contornou a esquina para a qual eu
me dirigia. Quando se aproximaram de mim, apercebi-me de que nao eram muito
mais velhos que eu. Eu afastei-me o máximo que pude para o lado interior do
passeio de modo a dar-lhes espaço, caminhando rapidamente.
Um deles
consegui chegar perto de mim e segurou-me com força.
-Afaste-se de
mim - avisei-o num tom se voz firme e destemido
-Nao sejas
assim, meu docinho! - exclamou ele
Foi entao aí
que surgiram luzes de faróis na esquina e o carro quase atingiu o homem,
obrigando-o a recuar.
-Entra -
ordenou-me uma voz furiosa
Mal eu entrei
no carro, estava bastante escuro - nenhuma luz se acendeu quando eu abri a
porta.
-Coloca o
cinto de segurança - ordenou-me ele
-Estas zangado
comigo? - perguntei-lhe, espantada com a forma como a minha voz estava
enrouquecida
-Nao. - disse
ele secamente, nas com um tom de voz que transmitia fúria
Fiquei calada,
enquanto percorríamos km e km. Pelo que parecia, ja nao estávamos na cidade.
-Adriana? -
interrogou-me ele, com a sua voz tensa e controlada
-Sim? -
respondi-lhe, mas com a voz ainda um pouco rouca
-Estas bem?
-Sim, estou. -
respondi-lhe
-Distrai-me,
pff - ordenou ele
-Hm, amanha
vou atropelar o Tyler.
-Porquê? -
perguntou-me ele, perplexo
-Porque anda a
dizer a toda a gente da escola que me vai acompanhar ao baile. - disse eu
-Também ouvi
falar nisso. - ele parecia um pouco mais calmo a falar
Ignorei, pois
nao queria falar muito mais nesse assunto.
-A Jéssica e a
Angela devem estar preocupadas. - murmurei
Ele ligou o
motor e em questão de segundos estávamos mesmo em frente ao restaurante 'La
Bella Itália'.
Ouvi a porta a
abrir-se e virei-me, vendo-o a sair.
-O que é que
estas a fazer? - perguntei-lhe
-Vou levar-te
a jantar.
-Jess! Angela!
- grifei para que elas me ouvissem
Elas
ouviram-me e vieram ter comigo.
-Onde
estiveste? - perguntou-me a Jéssica, com um tom de voz que transmitia um pouco
de desconfiança
-Perdi-me. E
depois acabei por me encontrar com o Rafael, por acaso.
Fiz um gesto
na direcção dele.
-Nao se
importam que vos faça companhia? - perguntou com a sua voz suave e irresistível
-Ah... claro
que nao - afirmou suavemente a Jéssica
-Hm, na
verdade, Adriana, nós ja jantamos enquanto estávamos à tua espera; desculpa -
confessou-me a Angela
-Tudo bem, eu
nao tenho fome - disse, encolhendo os ombros
-Acho que
devias comer alguma coisa - o Rafael falava com um tom de voz baixa, mas com
alguma autoridade. Ele olhou para a Jéssica de seguida - Importas-te que eu
leve a Adriana a casa esta noite? Dessa forma nao terão de esperar enquanto ela
come.
-Hm, penso que
nao haja problema... - disse a Jéssica
-Está bem! -
disse a Angela - Ate amanha, Adriana... Rafael.
De seguida, a
Angela pegou na mão da Jéssica e entraram no carro. Antes de entrar, a Jéssica
voltou-se e acenou-me. Eu retribui-lhe o aceno, à espera que elas se afastassem
antes de me virar de frente para ele.
-A serio, eu
nao tenho fome - insisti
-Faz-me a
vontade - disse ele
O restaurante
nao estava cheio, mas parecia agradável. Quem recebia os clientes era uma
melhor e eu percebi o seu olhar enquanto ela examinava o Rafael. Ela recebeu-o
de uma forma mais calorosa do que o normal.
-Tem uma mesa
para 2?
A voz dele era
sedutora, quer fosse essa a sua intenção ou nao.
-O que lhe
parece aquela mesa? - perguntou a empregada
-Perfeito
Fomos
sentar-mo-nos na mesa.
-Olá. Chamo-me
Amber e serei a sua empregada de mesa. O que deseja beber?
O Rafael olhou
para mim.
-Eu quero uma
Coca-Cola. - disse eu
-São 2
Coca-Colas. - disse ele
-Vou
busca-las.
Os olhos dele
permaneceram ficados em mim.
-O que foi? -
perguntei
-Como te
sentes?
-Estou óptima.
-Nao te sentes
tonta, enjoada, com frio...?
-Deveria
sentir-me?
-Ainda estou à
espera que entres em choque Adriana. - de seguida ele soltou um riso abafado
-Acho que isso
nao ira acontecer. Sempre fui boa a reprimir coisas desagradáveis.
-Mesmo assim,
ficarei mais descansado quando ingerires algum açúcar e comida.
Nesse momento,
a empregada voltou à nossa mesa.
-Está pronto
para pedir? - perguntou ela ao Rafael
-Adriana?
A empregada
virou-se de má vontade para mim e ri escolhi o 1º prato que estava na ementa.
-Hm... vou
quer um strogonoff de cogumelos.
-E o senhor? -
perguntou ela, votando-se de novo para o Rafael com um grande sorriso
-Eu nao vou
querer nada.
Claro que nao
queria, isso era obvio.
-Se mudar de
ideias, avise-me. - disse ela
De seguida, a
empregada foi-se embora.
-Bebe -
ordenou-me ele
-Obrigada. -
agradeci
Arrepiei-me
com a sensação de frio que derivava do refrigerante gelado.
-Tens frio?
-É so da
Coca-Cola. - expliquei-lhe, sentido outro arrepio
-Nao tens
nenhum casaco?
Antes de lhe
responder, olhei para o banco ao meu lado e reparei de que o meu casaco nao se
encontrava lá.
-Oh!
Esqueci-me dele no carro da Jéssica. - contestei
Nesse momento,
o Rafael esta a despir o seu casaco. Ele deu-me o seu casaco para vestir.
-Obrigada! -
exclamei-lhe, com os braços a deslizarem pelas mangas do seu casaco
Estava frio. O
seu casaco exalava um odor fantástico. As mangas eram demasiado compridas;
arregacei-as de modo a poder libertar as minhas mãos.
-Essa cor azul
condiz maravilhosamente com a tua cor pele. - afirmou ele, observando-o
Fiquei
surpreendida e baixei o meu olhar, envergonhada e corada como é evidente. Ele
de seguida empurrou o cesto do pão na minha direcção.
-A serio, nao
vou entrar em estado de choque Rafael. - protestei
-Mas devias;
era o que aconteceria a uma pessoa 'normal'. Mas tu nem sequer abalada pareces.
-Eu sinto-me
protegida na tua companhia.
A minha ultima
afirmação pareceu desagradar-lhe.
-Bem, parece
que isto ira ser mais difícil e complicado do que eu imaginara. - murmurou ele
para consigo mesmo
Eu fiquei
calada por uns momentos, perguntando-me quando é que seria o momento indicado
para o começar a interrogar. Em vez disso, limitei-me apenas a lançar-lhe uma
afirmação sobre a cor dos seus olhos.
-Normalmente,
estas sempre mais bem-disposto quando os teus olhos estão assim, claros.
Ele fitou-me,
estupefacto.
-O quê?
-Estas sempre
mais rabugento quando os teus olhos estão negros; nesse momento, ja sei o que
esperar. - prossegui - Alias, tenho uma teoria a esse respeito.
Os seus olhos
semicerraram-se.
-Mais teorias?
-Sim.
Eu estava a
mastigar um pedaço de pão, tentando parecer indiferente.
-Gostaria que,
desta vez, fosses um pouco mais criativa Adriana... ou contíguas a inspirar-te
em livros de banda desenhada?
-Nao, nao me
baseei num livro de banda desenhada, mas também nao a elaborei sozinha. -
confessei-lhe
Ele esperou
que eu disse-se algo, mas, nesse exacto momento, a pregada voltou com o meu
prato.
-Mudou de
ideias? - perguntou ela ao Rafael - Tem a certeza de que nao quer que lhe traga
nada?
Eu podia
imaginar o duplo significado das suas palavras.
-Nao, obrigado.
Mas convinha que trouxesse mais Coca-Cola.
-Com certeza.
Ela retirou os
copos vazios e afastou-se.
-O que estavas
a dizer?
-Digo-te no
carro. Se... - detive-me
-Ha condições?
-Tenho, de
facto, algumas questões a colocar-te, como deves calcular.
-Claro.
-Porquê estas
em Coimbra Rafael? - nesse momento ele deixou-me tocar na sua pele, fria e dura
como uma pedra - obrigada
-Segui-te ate aqui,
até Coimbra. - confessou ele - Nunca tentei manter viva uma pessoa em especial,
e é muito mais problemático do que eu alguma vez pensei, mas deve ser por essa
pessoa seres tu. As pessoas consideradas normais parecem conseguir chegar ao
fim do dia sem tantas catástrofes.
Ele deteve-se.
Perguntei-me a mim mesma se deveria ficar incomodada com o facto de ele andar a
seguir-me; mas em vez disso, fui invadida por uma estranha sensação de prazer.
-Ja te ocorreu
a ideia de que talvez tivesse chegado a minha vez naquela 1ª ocasião, com a
carrinha, e tu tens estado a interferir com o destino?
-Nao foi essa
a 1ª vez Adriana. - disse ele - A tua vez chegou quando te conheci. Lembras-te?
- perguntou-me ele, com o seu semblante solene de anjo
-Sim,
lembro-me. - eu estava calma
-E, no
entanto, aqui estas tu sentada.
-Sim, aqui
estou eu sentada... por tua causa - detive-me - Porque, de alguma forma, tu
sabias como me encontrar hoje... - incentivei-o a explicar
-Okay, tu
comes e eu falo. - negociou ele comigo
Eu peguei
noutra garfada com strogonoff de cogumelos e levei-a à boca, mastigando com
pressa.
-É mais
difícil do que o normal, localizar-te. Normalmente, consigo encontrar uma
pessoa com muita facilidade quando ja auscultei a sua mente antes. Andei a
vigiar a Jessica e, a principio, nao reparei que tinhas partido sozinha. Entao,
quando me apercebi de que ja nao estavas com elas, decidi ir à tua procura à
livraria que vi na cabeça dela. Percebi que nao tinhas entrado na livraria e
que te deslocavas para Sul, logo sabia que irias voltar para trás em breve.
Assim, estaria à tua espera. Eu nao tinha motivos para estar preocupado... mas
estava estranhamente ansioso...
Ele parecia
estar perdido nos seus pensamentos.
-O Sol está
finalmente a pôr-se e eu estava prestes a sair do carro e a seguir-te a pé.
Entao... - ele parou. Esforçando-se por se acalmar.
-Entao o quê?
- sussurrei
-Ouvi o que
eles estavam a pensar. Vi a tua cara na mente dele. Foi muito... difícil para
mim... nao imaginas o quanto... simplesmente levar-te dali e mante-los...
vivos. - a sua voz era abafada pelo seu braço - Eu podia ter-te deixado ir com
a Jéssica e com a Angela, mas eu receava que, se me deixasses sozinho, eu fosse
atras deles. - confessou ele num sussurro - Estas pronta para ir para casa? -
perguntou-me ele
-Estou pronta
para me ir embora. - reformulei
A empregada de
mesa apareceu como se tivesse sido chamada ou como se nos estivesse a observar.
-Está tudo
bem? - perguntou ela
-Ja pode
trazer-nos a conta, obrigado.
A voz dele
estava serena, mais ríspida, reflectindo ainda a tensão da nossa conversa.
Parece ter perturbado o espirito da empregada. Ele levantou o olhar, esperando.
-C... com
certeza. - tartamudeou ela - Aqui tem.
Ele pôs a nota
em cima da mesa.
-Nao é
necessário dar-me o troco.
-Tenha uma boa
noite.
Ele nao
desviou o olhar de mim enquanto eu agradecia.
Quando
entrámos no carro estava frio, ele ligou o motor e pôs o aquecimento ao máximo.
A temperatura baixou significativamente e eu calculei que o bom tempo tinha
chegado ai fim. Porém, o seu casaco mantinha-me quente.
O Rafael saiu
do parque de estacionamento, avançando por entre o trafego, aparentemente sem
um olhar, virando de repente para trás para seguir em direcção à auto-estrada.
-Agora... -
disse-me ele de uma forma sugestiva - é a tua vez de fazer perguntas.
Sem comentários:
Enviar um comentário