A chuva
manteve-se fraca durante o fim de semana, silenciosa, e eu consegui dormir bem.
Na 2ª feira de
manhã as pessoas cumprimentaram-me no parque de estacionamento. Como ainda nao
sabia o nome todas retribuía-lhes com um aceno e sorria-lhes. Felizmente nao
chovia, mas fazia mais frio.
Na aula de
Inglês, o Mike ocupou o seu lugar habitual ao meu lado. Tivemos um teste
surpresa sobre 'O Monte dos Vendavais', era direito e externamente fácil na
minha opinião.
Para ser
sincera, eu sentia-me bastante mais à vontade do que qualquer outra pessoa da
sala. Mais à vontade do que eu própria pensara sentir-me aqui.
Logo que
saímos da sala, o céu estava repleto de farrapos brancos que giravam num
torvelinho. Conseguia-se ouvir as pessoas a gritarem de uma forma empolgada
umas para as outras. O vento açoitava-me a face e o nariz.
-Ena! -
exclamou o Mike. - Está a nevar.
Olhei para os
pequenos e minúsculos pompons de algodão branco que se estavam a acumular ao
longo do passeio e a rodopiar erraticamente diante do meu rosto.
-Que horrível!
Neve, lá se vai o meu bom dia.
Ele pareceu
ficar surpreendido.
-Nao te agrada
a neve?
-Nao,
significa que está muito frio para chover. Isso é obvio, e além disso pensei
que devia cair apenas flocos, tu sabes, cada 1 é único e tal. Mas estes
assemelham-se às extremidades de cotonetes.
-Nunca
assististe à queda de neve? - perguntou-me ele incredulamente.
-Claro que ja.
- detive-me. - Na televisão.
O Mike riu-se.
Entao, foi aí que uma grande e mole bola de neve nos atingiu. Suspeitei logo do
Eric, pois ele estava a afastar-se de costas voltadas para nós, caminhando na
direcção errada para a sua seguinte aula.
O Mike tinha a
mesma opinião que eu. Inclinou-se, começando a formar um monte daquela macia
polpa branca.
-Encontramo-nos
à hora de almoço está bem?
Continuei a
andar enquanto falava. 'Quando as pessoas começam a arremessar substancias
húmidas, eu abrigo-me.'
Ele limitou-se
a acenar-me com a cabeça.
Durante a
manhã todos falavam empolgadamente sobre a neve; pelo que percebi era o 1º
nevão do ano. Eu mantive-me calada. É claro que esta era mais seca do que a
chuva - ate se derreter nas nossas meias - mas nao me agradava.
Caminhei de um
modo vigilante ate à cantina, com a companhia da Jéssica, depois da nossa aula
de Espanhol. As bolas de polpa macia voavam por toda parte. Eu mantive nas
minhas mãos uma capa, caso precisasse de a usar como um escudo de proteção. O
Mike alcançou-nos, rindo, com gelo a derreter-se no seu cabelo, anulando o
efeito espetado.
Quando olhei
para a mesa do canto devido a uma questão de habito fiquei, totalmente,
paralisada no sítio onde me encontrava. Estavam 5 pessoas sentadas à mesa.
A Jéssica teve
de me puxar pelo braço para me tirar dos meus pensamentos.
-Sim? Adriana?
O que é que vais querer comer?
Baixei o
olhar; tinha as minhas orelhas a ferver. Relembrei-me a mim mesma de que nao
tinha qualquer motivo para me sentir inibida. Nao tinha feito nada de errado.
-O que é que
se passa com a Adriana? - perguntou o Mike à Jéssica.
-Nada -
respondi eu. - Hoje vou apenas beber um sumo.
E voltei para
o final da fila.
-Nao tens
fome? - perguntou-me a Jessica.
-Na verdade,
estou a sentir-me um pouco enjoada - disse-lhe mas ainda com os olhos postos no
chão.
Esperei entao
que eles recebessem a sua comida e segui-os ate a uma mesa, com os meus olhos
sempre pousados nos meus pés.
Servi-me do
meu sumo lentamente, com o estômago a dar às voltas. O Mike perguntou-me 2
vezes, com uma desnecessária preocupação na minha opinião, como é que eu me
sentia.
Disse-lhe de
que se tratava de algo sem importância, mas interrogava-me se era melhor fazer
uma encenação, escapar até à enfermaria e permanecer ali durante a hora
seguinte.
Que coisa mais
ridícula. Eu nao tinha que fugir.
Decidi, entao,
lançar um olhar de relance na direcção da mesa da família Fernandes. Caso 'ele'
me estivesse a olhar com ferocidade, eu iria acabar por faltar à aula de
Biologia como cobarde que sou.
Mantive entao
a minha cabeça baixa e olhei por baixo das minhas pestanas. Como nenhum deles
estava a olhar na minha direcção decidi levantar um pouco mais a cabeça."
Estavam-se a
rir. Tanto o Rafael como o André e o Bernardo tinham o cabelo completo repleto
de neve a derreter-se. A Andressa e a Rita afastavam-se enquanto o Bernardo
sacudia o seu cabelo gotejante na direcção delas. Pareciam estar a desfrutar do
dia nevoso que estava, tal como todas as outras pessoas - so que eles pareciam
estar mais a encenar uma cena retirada de um filme do que qualquer um de nós.
Para além dos
seus risos e do espirito de brincadeira, eu sentia que havia algo de diferente
mas nao conseguia ao certo determinar no quê que consistia essa diferença.
Examinei o Rafael de uma forma minuciosa e cheguei à conclusão de que a sua
pele ja nao estava assim tão branca mas sim um pouco mais morena - talvez
enrubescida devido à luta na neve que teve - e os círculos sob os seus olhos
estavam menos perceptíveis. Mas havia, porém, algo mais. Decidi, entao,
ponderar olhá-los fixamente tentando isolar a mudança.
-Adriana, para
onde é que estas a olhar? - intrometeu-se a Jéssica, seguindo o meu olhar fixo.
Nesse mesmo
momento, os olhos 'dele' deslocaram-se para se cruzarem com os meus.
Baixei a minha
cabeça, deixando com que os meus cabelos caíssem para me ocultar a cara. Tinha,
porém, a certeza de que, no instante em que os nossos olhos se cruzaram que ele
nao parecia descortês ou hostil como tinha acontecido na ultima vez em que o
vi. Parecia, novamente, apenas curioso, insatisfeito sob algum aspecto.
O Rafael
Fernandes está a olhar-te fixamente - comentou a Jéssica ao meu ouvido,
soltando uns risinhos.
-Nao parece
zangado, pois nao? - nao consegui evitar fazer-lhe essa pergunta.
-Nao -
respondeu ela, parecendo fuçar confusa com a minha pergunta. - Devia estar?
-Acho que ele
nao gosta lá muito de mim - confessei.
Ainda me
sentia indisposta. Pousei a minha cabeça no braço.
-Os Fernandes
nao gostam de ninguém...bem, pelo menos nao se mostram delicados o suficiente
para que as pessoas gostem deles. Mas ele está a continuar a olhar-te
fixamente.
-Pará de olhar
para ele - murmurei-lhe com alguma exasperação.
Ela soltou um
riso abafado, mas acabou por desviar mesmo o olhar, eu levantei a cabeça o
suficiente para me certificar de que ela o tinha feito, encarando a
possibilidade de recorrer à violência caso ela oferecesse resistência.
Durante o
resto da hora do almoço. 'mantive-me, com extremo cuido, com os meus olhos
pregados na minha própria mesa. Decidi entao honrar o compromisso que tinha
feito comigo mesma, como ele nao estava nem tinha um ar zangado eu iria
assistir à aula de Biologia. O meu estômago ja começava a dar pequenas voltas
de pavor ao pensar de que eu iria sentar-me ao seu lado novamente.
A chuva caía,
eliminando todos os vestígios de neve nas faixas límpidas e glaciais que
escorriam pela berma de passagem para peões. Coloquei o meu capaz na cabeça,
estando no meu intimo satisfeita. Estaria, assim dessa forma, livre para ir
directamente para casa logo que a aula de E.F.
Assim que
entrei na sala de aula com o Mike, pude verificar, que a minha bancada ainda
estava desocupada. O professor Jorge circulava pela sala, dando um microscópio
e uma caixa de dispositivos em cada uma das bancadas. Continuei a manter o meu
olhar afastado da porta, desenhando indolentemente na do meu caderno de
apontamentos.
-Olá - disse
uma voz suave, melodiosa.
Ergui o olhar,
aturdida por ele me estar a dirigir a palavra. Ele estava sentado tão afastado
em relação a mim quanto a bancada o permitia. Ele tinha o cabelo molhado a
ponto de gotejar, em desalinho - ainda assim, ele parecia-se com alguém que
acabou de participar na filmagem de um anuncio publicitário a gel capilar.
O seu rosto
deslumbrante demonstrava uma expressão amigável, aberta, com os lábios
perfeitos a esboçarem um ligeiro sorriso. Porém, os seus olhos espelhavam algo
cuidado.
-Chamo-me
Rafael Fernandes - continuou. - Nao tive oportunidade de me apresentar na
semana passada. Deves ser a Adriana Martins.
A minha cabeça
estava tão confusa. Será que tudo aqui seria fruto da minha imaginação? Ela
estava, agora, a ser perfeitamente delicado. Eu tinha que dizer alguma coisa,
ele estava à espera disso. Mas nao me ocorria nada de convencional para dizer.
-Como é que
sabes o meu nome? - disse.
Ele riu-se de
uma forma suave e totalmente encantadora.
-Oh, acho que
todos daqui sabem o teu nome. Toda a cidade tem estado a aguardar a tua
chegada.
Sabia que tal
correspondia à verdade mais ou menos.
-Ah.
Deu o assunto
por encerrado. Eu desviei o olhar com um certo constrangimento.
Nesse momento,
o professor Jorge deu começo à aula felizmente.
Tentei
concentrar-me enquanto ele explicava o trabalho laboratorial do dia. Os
diapositivos que se encontravam na caixa estavam desordenados. O trabalho era
como parceiros de laboratório, tínhamos de separar os diapositivos referentes
às células da extremidade da raiz da cebola consoante as fases de mitose que
representavam e classifica-los em conformidade com estes aspectos. Passados 20 minutos,
ele faz uma ronda pelas bancadas para ver quem acertou.
-Comecem -
ordenou.
-1º as
senhoras, parceira? - perguntou-me o Rafael
Eu levantei o
meu olhar e vi-o a esboçar um sorriso constrangido tão perfeito que eu
conseguia apenas mira-lo como uma idiota.
-Ou, se
preferires, eu posso começar.
-Nao -
disse-lhe, ruborizando. - Eu começo.
Estava a
exibir-me, apenas so um bocadinho. Ja tinha realizado este trabalho e sabia o
que procurar. A tarefa adivinhava-se fácil. Coloquei entao o 1º diapositivo no
microscópio e regulei o mesmo para a objectiva de 40X. Examinei o diapositivo
durante breves instantes.
A minha
avaliação era segura.
-Prófase.
-Importas-te
que dê uma olhadela? - perguntou-me ele quando eu ja começava a retirar o
dispositivo. A mão dele segurou a minha, para me deter. Os seus dedos estavam
gelados nesse momento, como se os estivesse colocado numa acumulação de neve
antes de vir para a aula. Ele retirou logo a sua mão, mas quando me tocou senti
uma dor pungente na mão, como se nos tivesse atravessado um fluxo de corrente
eléctrica.
-Desculpa -
disse ele entre dentes, retirando de seguida a sua mão.
No entanto,
continuou a tentar alcançar o microscópio. Observei-o, ainda desconcertada,
este a examinar o diapositivo, que o fez num instante ainda mais breve do que
eu fiz.
-Prófase -
concordou ele, registando no ficha de trabalho com uma caligrafia impecável.
Substituiu agilmente o 1º diapositivo pelo 2º e, logo de seguida, olhou-o
rapidamente.
-Anafase -
murmurou, começando a anotar.
-Posso?
Ele esboçou um
sorriso afectado e aproximou o microscópio de mim.
Quando fui a
ver..Raios, ele tinha razão.
-Passamos ao
3º diapositivo?
Ele
entregou-mo; Olhei para o diapositivo da forma mais fugaz que consegui.
-Interfase.
Ele assim que
verificou, apontou a designação.
Terminamos
antes de o resto da turma o fazer.
Dessa forma,
fiquei sem nada para fazer, a nao ser, claro, tentar nao olhar para ele...sem
sucesso. De repente, identifiquei aquela mudança subtil no seu rosto.
-Puseste
lentes de contacto? - perguntei-lhe.
Ele pareceu
ficar perplexo com a minha repentina pergunta.
-Nao.
-Oh - disse. -
Pensei que havia algo diferente nos teus olhos.
Ele desviou o
olhar.
Na verdade, eu
tinha a certeza que havia algo diferente. Recordava-me bastante bem da cor
negra dos seus olhos da ultima vez em que ele me lançou um olhar hostil. Hoje,
neste dia, os olhos dele estavam com uma cor diferente: um estranho ocre, mais
escuro do que caramelo manteiga, mas com um tom dourado. Nao compreendo como
tal seria possível, entao cheguei a 2 conclusão onde uma delas so estava certa:
ou ele estava a mentir-me em relação às lentes de contacto ou talvez Lisboa
estivesse a enlouquecer-me na verdadeira acepção da palavra.
Baixei entao o
meu olhar. As suas mais estavam novamente fechadas com os seus punhos cerrados.
O professor
Jorge veio ate à nossa bancada para saber, porque motivo, nao estávamos a
trabalhar. Mas quando foi a ver reparou que ja o tínhamos feito.
-Entao,
Rafael, nao achas que deveria ter sido dada à Adriana a oportunidade de
utilizar o microscópio? - perguntou-lhe o professor Jorge.
-Na verdade,
foi ela que identificou 3 das 5 fases representadas nos diapositivos.
O professor
Jorge olhou para mim, com uma expressão de cepticismo estampada no seu rosto.
-Ja tinhas
realizado este trabalho laboratorial? - perguntou-me ele.
-Com raiz de
cebola, nao. - disse sorrindo
-Com blastula
de coregono?
-Sim.
O professor
Jorge acenou com a cabeça.
-Em Setúbal,
estavas integrada num programa de colocação avançada?
-Estava.
-Bem -
exclamou ele após alguns instantes. - Suponho que o facto de vocês os 2 serem
parceiros de laboratório seja proveitoso. - e começou a afastar-se
-Foi pena
aquilo da neve, nao foi? - perguntou o Rafael
Tive a pequena
sensação de que estava a tentar estabelecer um dialogo de ocasião e amigável
comigo. Sinceramente, a paranóia ja estava a começar a invadir-me de novo.
-Nem por isso
- respondi-lhe da forma mais sincera possível, em vez de tentar fingir ser uma
pessoa normal como as outras. Ainda estava a tentar afastar a estúpida sensação
de suspeiçao e nao estava a conseguir concentrar-me.
-O frio nao te
agrada. - Nao era, de facto, uma pergunta mas sim uma afirmação.
-Nem do tempo
chuvoso.
-Deve ser um
pouco para ti viveres em Lisboa no Inverno. - desvaneou ele.
-Nao fazes
ideia - murmurei por entre dentes de um modo enigmático.
Por algum
motivo, ele parecia-me fascinado naquilo que lhe dizia.
-Entao, porquê
que vieste para ca agora?
Ate agora,
ninguém ainda me tinha colocado essa questão, mal tão directamente como ele me
fez.
-É...complicado.
-Acho que
consigo acompanhar-te. - pressionou-me.
-A minha mãe
casou-se pela 2ª vez - declarei finalmente passado um bom bocado.
-Nao me parece
ser algo assim tão complexo - discordou ele. - Quando é que isso aconteceu?
-No passado
mês de Setembro.
-E tu nao
gostas do tipo - conjecturou o Rafael, ainda com um tom de voz gentil.
-Nao, o João é
uma boa pessoa, talvez pouco jovem de mais mas é muito boa pessoa.
-Entao porquê
que nao ficaste com eles?
Nao conseguia
determinar o tanto interesse dele.
-O João viaja
muito, ganha a sua vida a jogar à bola.
Esbocei um
sorriso irónico.
-Ja ouvi falar
nele? - perguntou-me, retribuindo-me o sorriso.
-Provavelmente
nao. Ele nao joga lá muito bem, joga na 2ª liga e desloca-se muito.
-E a tua mãe
mandou-te para ca de modo a poder viajar com ele - disse ele novamente como se
tratasse de uma suposição e nao de uma pergunta.
O meu queixo
levantou-se um pouco.
-Nao, ela nao
me mandou para aqui. Eu vim por minha própria vontade.
-Nao
compreendo - confessou, parecendo desnecessariamente frustado com este facto.
-A principio,
ela ficava comigo, mas acabava por sentir saudades do João. Essa separação
fazia-a infeliz... por isso decidi que estava na altura, finalmente, de passar
algum tempo útil com o meu pai.
Quando eu
terminei de falar, a minha voz estava soturna.
-Agora, quem
está infeliz es tu - afirmou ele
-E daí? -
decidi desafia-lo.
-Nao me parece
ser justo.
Ri-me sem
vontade.
-Nunca ouviste
'A vida nao é justa.'?
-Creio ja ter
ouvido isso algures - disse secamente.
Eu nada disse
mais, mas interrogava-me por que motivo é que ele me continuava a fitar daquela
forma.
O seu olhar
fixo tornou-se analítico.
-Disfarças bem
- disse-me ele lentamente. - Mas eu proprio estaria disposto a apostar que
estas a sofrer mais do que mostras aos outros.
-Estou
enganado?
Continuei a
ignora-lo.
-Bem me
pareceu que nao. - murmurou ele, presunçosamente.
-O que é que
isso te pode interessar? - perguntei-lhe ja um pouco irritada
-É uma
excelente pergunta - sussurrou ele pó entre dentes, com um tom de voz abafado
que me fez interrogar se ele nao estava a falar consigo mesmo.
Suspirei.
-Nao
propriamente, estou apenas mais aborrecida comigo mesma. Sou tão
transparente... a minha diz sempre que sou o seu livro aberto.
-Pelo
contrario; acho-te muito opaca.
-Entao, deves
ser um bom avaliador de caracter. - retorqui
-Normalmente.
- disse-me ele esboçando um sorriso rasgado
O professor
Jorge restabeleceu a ordem na sala e eu virei-me para lhe prestar atenção. Nao
conseguia acreditar que tinha acabado de expor a minha vida monótona àquele
perfeito e lindo rapaz que devia supostamente, ou nao, estar a evitar-me.
Tentei parecer
atenta enquanto o professor Jorge mostrava, com um retroprojector, aquilo que
eu tinha visto através do microscópio. Mas os meus pensamentos estavam, porém,
ingovernáveis.
Quando o toque
da companhia finalmente soou, o Rafael apressou-se rapidamente a sair da sala
de aula de uma forma tão ágil e graciosa como tinha feito na 2ª feira anterior
e fixei o meu olhar na direcção em que ele seguia.
-Foi horrível
- lamentou-se o Mike. - Todas pareciam exactamente iguais. Tiveste imensa sorte
em ter o Fernandes como teu parceiro.
-Nao tive dificuldade
em identifica-las - afirmei ofendida com a sua pressuposição, ficando
arrependida logo e seguida - Mas eu ja tinha feito este trabalho laboratorial.
-O Fernandes
estava hoje bastante simpático. - comentou ele
Nao me pareceu
ficar satisfeito com esse facto.
-Pergunto-me o
que teria ele na 2ª feira passada.
Depois da aula
de E.F dirigi-me para o parque de estacionamento, a chuva nao passava de
neblina mas senti-me mais segura e confortável quando entrei para o meu carro.
Liguei o aquecimento, abri o fecho do meu casaco, tirei o capuz e soltei o meu
cabelo húmido para que, o calor do aquecimento, o secasse mais rapidamente no
caminho de casa.
Olhei à volta
para me certificar de que o caminho estava livre, e foi aí, entao, que reparei
nele. O Rafael Fernandes estava encostado à porta dianteira do seu Volvo, a 3
carros de distancia de mim, e a olhar para mim atentamente.
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