quinta-feira, 14 de agosto de 2014

6º capítulo

Passados uns momentos de lá termos chegado, penso que o Mike se quis exibir um pouco.
-Ja alguma vez viste uma fogueira de madeira flutuante? - perguntou-me ele
-Nao - disse eu, enquanto ele encostava o ramo em chamas ao cone formado pela madeira
-Entao vais gostar disto; observa bem as cores.
Ele ateou outro pequeno ramo e colocou-o ao pé do 1º.
As chamas começaram a consumir a madeira seca rapidamente.
-Está azul - exclamei, espantada
-É o efeito provocado pelo sal. É bonito nao é?
Na Costa da Caparica havia uma reserva. Foi entao que 3 adolescentes da reserva se juntaram a nós, incluindo um rapaz chamado Bruno Carvalho e o mais velho que desempenhava o papel de porta-voz.
-Olá. És a Adriana Martins certo?
-Sim - disse, suspirando mas nao me admirando por ele saber o meu nome devido a ser a filha do Chefe Policia
-Eu sou o Bruno Carvalho.
-Eu supostamente devia lembrar-me de ti certo? - perguntei-lhe devido a nao me recordar dele
-Nao, eu sou o membro mais novo da família. Deves é da minha irmã mais velha.
-A Inês - relembrei-me de repente dela - Ela está aqui?
-Nao - disse o Bruno - Ela está fora a fazer um curso.
-Porquê que os Fernandes nao vêm à vossa reserva? - perguntei ao Bruno
-Referes-te à família do Dr. Bruno Fernandes? - respondeu um rapaz alto, mais velho.
-Sim, tu conheces-os?
-Os Fernandes nao vêm aqui - afirmou ele, num tom de voz que encerrava o assunto
Ele disse que os Fernandes nao iam, mas o seu tom de voz insinuou algo mais - que a sua presença nao era permitida.
-Queres ir caminhar pela praia? - perguntei ao Bruno, tentando mudar de assunto e ele aceitou
Começamos a caminhar pela praia.
-Entao Bruno, que idade tens? 17 anos? - perguntei-lhe
-Acabei se fazer 16. - respondeu, sentindo-se lisonjeado
-A serio? Eu diria que eras mais velho.
-Sou alto para a idade que tenho - explicou-me
-Ja agora, quem era aquele rapaz alto? Parecia-me um pouco velho demais para andar convosco.
-É o Pedro, tem 18 anos - informou-me ele
-O que é que ele estava a dizer em relação à família do medico? - perguntei-lhe, inocentemente
-Os Fernandes? Ah, eles nao podem entra na reserva.
-Porque nao?
-Desculpa, mas nao posso dizer nada a esse respeito.
-Eu prometo que nao conto a ninguém.
-Gostas de historias assustadoras? - pergubtou-me
-'Adoro'-as - exclamei, com entusiasmo
-Conheces alguma das nossas historias antigas, a respeito das nossas origens?
-Nao - confessei
-Existe a história acerca dos 'frios'.
-Dos frios? - perguntei, estando agora intrigada
-Sim, de acordo com a lenda o meu bisavô conhecia alguns deles. Foi ele que firmou o tratado que os mantinha longe das nossas terras.
-O teu bisavô?
-Sim, ele era ancião da tribo tal como o meu pai. Os frios são os inimigos naturais dos lobos. Nao propriamente do lobo, mas sim dos lobos que se transformam em homens, como os nossos antepassados. Pode-se chamar de lobisomens.
-Os lobisomens têm inimigos?
-Apenas 1. Os frios são, por tradição, nossos inimigos, mas os que chegaram ao nosso território no tempo do meu bisavô eram diferentes. Nao caçavam como os outros da sua espécie faziam - logo nao deviam constituir uma ameaça para a tribo. Dessa forma, o meu avô decretou uma trégua com eles.
-Entao porquê que...?
-Existe sempre um perigo para os humanos estarem perto dos frios, mesmo que sejam civilizados como este clã era.
-O que queres dizer com "civilizados"?
-Eles alegavam nao caçar humanos, caçavam animais como alternativa.
-Como é que isso encaixa nos Fernandes? Eles são como os frios que o teu bisavô conheceu?
-Nao, são os mesmos. - disse ele - No tempo dele conheceram o líder, o Bruno.
-E o que são eles. O que são os frios? - perguntei por fim
-Bebedores de sangue, a tua gente chama-lhes de vampiros.
Nao sabia, ao certo, o que o meu rosto expressava.
-Estas com pele de galinha. - riu-se
-Es um bom contador se historias. - elogiei-o - Nao te preocupes, eu nao te denuncio
-Suponho que apenas violei o tratado - riu-se - Mas agora a serio, nao comentes nada com o teu pai. Ele ficou bastante chateado ao saber que alguns de nós ja nao iam ao hospital porque o Dr. Fernandes trabalha lá.
-Nao direi nada. - afirmei
-Aí estas tu, Adriana. - exclamou o Mike
-É o teu namorado? - perguntou-me o Bruno ao ter reparado o laivo de ciúme no tom de voz do Mike
-Nao, de modo nenhum - suspirei
Despedi-me do Bruno e fui ter com o Mike.
-Onde tens estado? - perguntou-me o Mike
-O Bruno esteve-me a contar umas historias interessantes.
-Foi bom ver-te 'novamente' - disse-me o Bruno
-Sim, foi mesmo - disse-lhe - e obrigada. - acrescentei com um ar serio
Depois deste dia, fomos arrumar as coisas para voltar-mos a Lisboa.

Estava ansiosa para que 2ª feira chegasse, pois queria falar muito com o Rafael e descobrir, por fim, toda a verdade.

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