Passados uns
momentos de lá termos chegado, penso que o Mike se quis exibir um pouco.
-Ja alguma vez
viste uma fogueira de madeira flutuante? - perguntou-me ele
-Nao - disse
eu, enquanto ele encostava o ramo em chamas ao cone formado pela madeira
-Entao vais
gostar disto; observa bem as cores.
Ele ateou
outro pequeno ramo e colocou-o ao pé do 1º.
As chamas
começaram a consumir a madeira seca rapidamente.
-Está azul -
exclamei, espantada
-É o efeito
provocado pelo sal. É bonito nao é?
Na Costa da
Caparica havia uma reserva. Foi entao que 3 adolescentes da reserva se juntaram
a nós, incluindo um rapaz chamado Bruno Carvalho e o mais velho que
desempenhava o papel de porta-voz.
-Olá. És a
Adriana Martins certo?
-Sim - disse,
suspirando mas nao me admirando por ele saber o meu nome devido a ser a filha
do Chefe Policia
-Eu sou o
Bruno Carvalho.
-Eu
supostamente devia lembrar-me de ti certo? - perguntei-lhe devido a nao me
recordar dele
-Nao, eu sou o
membro mais novo da família. Deves é da minha irmã mais velha.
-A Inês -
relembrei-me de repente dela - Ela está aqui?
-Nao - disse o
Bruno - Ela está fora a fazer um curso.
-Porquê que os
Fernandes nao vêm à vossa reserva? - perguntei ao Bruno
-Referes-te à
família do Dr. Bruno Fernandes? - respondeu um rapaz alto, mais velho.
-Sim, tu
conheces-os?
-Os Fernandes
nao vêm aqui - afirmou ele, num tom de voz que encerrava o assunto
Ele disse que
os Fernandes nao iam, mas o seu tom de voz insinuou algo mais - que a sua
presença nao era permitida.
-Queres ir
caminhar pela praia? - perguntei ao Bruno, tentando mudar de assunto e ele
aceitou
Começamos a
caminhar pela praia.
-Entao Bruno,
que idade tens? 17 anos? - perguntei-lhe
-Acabei se
fazer 16. - respondeu, sentindo-se lisonjeado
-A serio? Eu
diria que eras mais velho.
-Sou alto para
a idade que tenho - explicou-me
-Ja agora,
quem era aquele rapaz alto? Parecia-me um pouco velho demais para andar
convosco.
-É o Pedro,
tem 18 anos - informou-me ele
-O que é que
ele estava a dizer em relação à família do medico? - perguntei-lhe,
inocentemente
-Os Fernandes?
Ah, eles nao podem entra na reserva.
-Porque nao?
-Desculpa, mas
nao posso dizer nada a esse respeito.
-Eu prometo
que nao conto a ninguém.
-Gostas de
historias assustadoras? - pergubtou-me
-'Adoro'-as -
exclamei, com entusiasmo
-Conheces
alguma das nossas historias antigas, a respeito das nossas origens?
-Nao -
confessei
-Existe a
história acerca dos 'frios'.
-Dos frios? -
perguntei, estando agora intrigada
-Sim, de
acordo com a lenda o meu bisavô conhecia alguns deles. Foi ele que firmou o
tratado que os mantinha longe das nossas terras.
-O teu bisavô?
-Sim, ele era
ancião da tribo tal como o meu pai. Os frios são os inimigos naturais dos
lobos. Nao propriamente do lobo, mas sim dos lobos que se transformam em
homens, como os nossos antepassados. Pode-se chamar de lobisomens.
-Os lobisomens
têm inimigos?
-Apenas 1. Os
frios são, por tradição, nossos inimigos, mas os que chegaram ao nosso
território no tempo do meu bisavô eram diferentes. Nao caçavam como os outros
da sua espécie faziam - logo nao deviam constituir uma ameaça para a tribo.
Dessa forma, o meu avô decretou uma trégua com eles.
-Entao porquê
que...?
-Existe sempre
um perigo para os humanos estarem perto dos frios, mesmo que sejam civilizados
como este clã era.
-O que queres
dizer com "civilizados"?
-Eles alegavam
nao caçar humanos, caçavam animais como alternativa.
-Como é que
isso encaixa nos Fernandes? Eles são como os frios que o teu bisavô conheceu?
-Nao, são os
mesmos. - disse ele - No tempo dele conheceram o líder, o Bruno.
-E o que são
eles. O que são os frios? - perguntei por fim
-Bebedores de
sangue, a tua gente chama-lhes de vampiros.
Nao sabia, ao
certo, o que o meu rosto expressava.
-Estas com
pele de galinha. - riu-se
-Es um bom
contador se historias. - elogiei-o - Nao te preocupes, eu nao te denuncio
-Suponho que
apenas violei o tratado - riu-se - Mas agora a serio, nao comentes nada com o
teu pai. Ele ficou bastante chateado ao saber que alguns de nós ja nao iam ao
hospital porque o Dr. Fernandes trabalha lá.
-Nao direi
nada. - afirmei
-Aí estas tu,
Adriana. - exclamou o Mike
-É o teu
namorado? - perguntou-me o Bruno ao ter reparado o laivo de ciúme no tom de voz
do Mike
-Nao, de modo
nenhum - suspirei
Despedi-me do
Bruno e fui ter com o Mike.
-Onde tens
estado? - perguntou-me o Mike
-O Bruno
esteve-me a contar umas historias interessantes.
-Foi bom
ver-te 'novamente' - disse-me o Bruno
-Sim, foi
mesmo - disse-lhe - e obrigada. - acrescentei com um ar serio
Depois deste
dia, fomos arrumar as coisas para voltar-mos a Lisboa.
Estava ansiosa
para que 2ª feira chegasse, pois queria falar muito com o Rafael e descobrir,
por fim, toda a verdade.
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